Imagens de satélite ajudam a dimensionar tornado em Xanxerê (SC)

Por Daniel Santini

Imagens de satélite permitem visualizar a movimentação das nuvens antes, durante e depois do tornado que atingiu o município de Xanxerê, em Santa Catarina, na segunda-feira, dia 20, e ajudam a dimensionar o fenômeno. Duas pessoas morreram, cerca de 300 ficaram feridas e 10 mil foram afetadas, sendo que 2,6 mil casas foram danificadas, de acordo com informações da Defesa Civil. Segundo o último Censo, de 2010, o município localizado perto de Chapecó conta com 47 mil habitantes.

Ao se observar as imagens de satélite, é possível visualizar a formação de duas supercélulas sobre Santa Catarina, de acordo com Oton Barros, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Integrante do núcleo de Resposta Rápida da Coordenação de Observação da Terra, do INPE, ele organizou a animação abaixo a partir de registros da movimentação das nuvens. Supercélulas são tempestades em que ventos ascendentes giram para dentro de uma nuvem, fenômeno marcado por raios e ventanias muito fortes, além de tornados. Do espaço, é possível visualizar tais nuvens, que foram massas circulares com quilômetros de diametro . No vídeo, é possível visualizar duas destas massas no nono segundo. “Cada uma tem uns 90 km de diâmetro”, explica o pesquisador.

 

 

A animação foi produzida com imagens do GOES (“Satélite Geoestácionário Ambiental Americano”, ou em inglês “Geostationary Operational Environmental Satellite”), organizadas pela Divisão de Satélites e Sistemas Ambientais do INPE. Na página, é possível acessar imagens da movimentação de nuvens na Terra inteira em diferentes datas e dias, sistema que serve de base para todo o trabalho do Centro de Previsão do Tempo e Estados Climáticos. Os registros estão abertos para consultas. No dia do tornado, por exemplo, dá para ver o momento em que as supercélulas se formam (clique aqui ou na imagem abaixo para navegar no mapa).

 

goes

 

Além das imagens de satélite que estão “estacionados” ao redor da Terra, e permitem uma visualização macro integral da movimentação de nuvens do planeta com atualizações regulares (na página do INPE, os registros são hora a hora!), existem também acervos com outros ângulos e maior nível de detalhamento com satélites que estão mais perto do planeta. Enquanto os primeiros orbitam a milhares de quilômetros, os segundos ficam a centenas, tendo que manter uma movimentação constante. Por isso, mantém registros em maior espaçamento de tempo. O sistema MODIS, da Nasa, por exemplo, dispõem de apenas uma imagem do dia 20, que tem mais qualidade, mas não permite acompanhar a evolução da movimentação (clique aqui ou na imagem abaixo para navegar no mapa).

 

nasa

 

A evolução no monitoramento de fenômenos climáticos pode ajudar a prever e minimizar danos em casos de tornados e outras variações. O acesso aberto aos dados é útil tanto para meteorologistas e pesquisadores, quanto para qualquer um que tenha interesse em acompanhar e aprender sobre o assunto.

Saiba mais
Outros links com imagens de satélites que podem ser úteis para quem quer se aprofundar no tema (todos em inglês):
Internacional Charter Space & Major Disasters
U.S Geological Survey (mapas)
Landsat (viewer)

 


 

* Atualização 
Em função do desastre, a comunidade do OpenStreetMap organizou uma força-tarefa para tentar melhorar o mapa da de Xanxerê (SC), o que pode ser útil para identificar os danos e ajudar os atingidos. Participe:http://tasks.hotosm.org/project/990

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