O mapa de ciclovias da Prefeitura de São Paulo

Por Daniel Santini

Neste domingo, dia 18, acontece a primeira Mapatona de Ciclovias de São Paulo. A iniciativa, organizada pelo Código Urbano, tem como objetivo melhorar o mapa colaborativo das ciclovias da cidade no OpenStreetMap, plataforma cuja essência são os dados abertos. Atualmente a prefeitura de São Paulo disponibiliza o mapa oficial no Google Maps, que é uma plataforma fechada.

Mesmo com as limitações do Google, é possível baixar um arquivo KML com os dados atuais do mapa oficial, indicado no site da Prefeitura. Basta clicar no símbolo de compartilhar e escolher essa opção. Em se tratando de acesso a dados, isso já é um avanço em relação à gestão anterior, que nunca liberou a base  do Mapa de Ciclorrotas, apesar de o mesmo ter sido pago com recursos públicos. A gestão do então prefeito e hoje ministro das Cidades do Governo Federal, Gilberto Kassab (ex-PFL e DEM, hoje PSD), contratou o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) para mapear os melhores caminhos para ciclistas em São Paulo, e chegou a sinalizar vias, incentivando o compartilhamento e o respeito aos ciclistas. Só que só divulgou a base de dados de tal mapa em um formato fechado em PDF, impossível de ser aproveitado em outros mapas – o que comprometeu a continuidade do trabalho.

Clique aqui para entender a diferença entre ciclorrotas, ciclovias e ciclofaixas

A base organizada pela gestão atual, de Fernando Haddad (PT), pode ser baixada e visualizada em outras plataformas, como por exemplo o Google Earth, que também é do Google. Isso permite criar visualizações diferentes e olhar os dados sobre outros ângulos. Dá para aproximar  a tela e navegar pelas rotas, por exemplo, o que ajuda bastante quem está planejando caminhos.

Prefeitura organizou o mapa oficial de ciclovias de São Paulo utilizando o Google Maps, que é uma base fechada. Foto: Reprodução/Google Street Maps
Prefeitura organizou o mapa no Google Maps, que é uma base fechada. Foto: Google Earth

As imagens ao lado e abaixo ajudam a entender melhor esse ponto. Ao se abrir a base KLM no Google Earth, é possível visualizar as rotas inclinando o mapa ou aproximando, utilizando até o recurso de deixar prédios e construções em três dimensões.

O problema é que, ao optar pela base criada pelo Google, que é uma empresa privada, para disponibilizar dados públicos, a Prefeitura acabou abrindo mão do direito de livre compartilhamento das informações – o que é, ou deveria ser, chave em se tratando de projetos PÚBLICOS.

Ciclovias no Centro. Imagem: Reprodução/Google Street View
Ciclovias no Centro. Imagem: Reprodução/Google Street View

O Google informa de maneira clara e direta que, ao submeter conteúdo nas plataformas de mapas que eles desenvolvem, o usuário topa se submeter às licenças que eles definirem, que limitam a reprodução e distribuição do conteúdo gerado. Isso está indicado nos Termos de Serviço Adicionais do Google Maps/Google Earth, que serve de base para orientações sobre direitos autorais em português e em inglês. A empresa informa inclusive que tais licenças estão passíveis de mudanças sem aviso prévio.

Imagem da rede planejada para ser concluída até 2015. Imagem: reprodução do Plano Cicloviário da Prefeitura Municipal de São Paulo (clique na imagem para acessar o documento)
Imagem da rede planejada para ser concluída em 2014. Imagem: Plano Cicloviário da Prefeitura Municipal de São Paulo (clique na imagem para acessar o documento)

O tom é bastante diferente do da licença do OpenStreetMap, cujos mapas são construídos de maneira colaborativa. A plataforma aberta é interessante não só por permitir que mapas sejam reproduzidos e o conhecimento se espalhe, mas também porque, quando existe uma comunidade engajada e comprometida, o mapeamento pode ser muitos mais completo. Dá para mapear qualquer coisa no OpenStreetMap. Nas ciclovias de São Paulo, por exemplo, é possível pensar em identificar quais são as vias de mão dupla e quais não são, uma informação básica, mas que não está disponível no mapa oficial. Ou ter um mapa dos buracos e obstáculos, facilitando para o próprio poder público a identificação dos trechos que precisam de reparos e melhorias. Ou identificar subidas.

Na mesma medida em que existem planos para mais ciclovias e melhoria na infraestrutura cicloviária da cidade, existe abertura dentro da própria Prefeitura para se debater a democratização de dados e ampliação da transparência em relação à bicicleta. A maratona do próximo domingo acontece no Mobilab, um laboratório de mobilidade criado pela  Secretaria Municipal de Transportes (SMT) que tem como objetivo declarado fomentar “inovação, transparência e participação da sociedade civil”.

Mapear as ciclovias de São Paulo é uma maneira também de consolidar conquistas e cobrar continuidade e ação da atual ou das futuras gestões. Quando mais gente envolvida, melhor. Transparência e acesso à informação são questões chaves para quem luta por direitos e defende estruturas mais democráticas e participativas.

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