Primeiro sensor independente para monitorar poluição é instalado em SP

35 sensores como este serão espalhados por São Paulo
35 sensores como este serão espalhados por São Paulo

Por Daniel Santini, Guima San, Gustavo Faleiros e Stefano Wrobleski

O primeiro sensor independente para monitoramento da qualidade do ar em São Paulo foi instalado no último sábado, dia 21, no Largo da Batata, em São Paulo. O equipamento, um sensor DustDuino capaz de medir a concentração de material particulado no ar, começou a funcionar durante encontro colaborativo promovido pelo Garoa Hacker Clube. A ação faz parte da iniciativa Código Urbano, frente criada para o desenvolvimento de tecnologias livres e projetos de abertura de dados.

O sensor já começou a medir a concentração de Material Particulado (MP) de 2,5 (inalável fino) e 10 (inalável) micrômetros (milésimos de milímetro) por metro cúbico, e servirá para monitorar o nível de poluição do ar que quem passa pela região respira.

Luzes instaladas junto com o sensor indicam a qualidade do ar para quem estiver passando. Equipamentos foram instalados em banca de jornal que topou participar do projeto. Foto: Gustavo Faleiros
Luzes instaladas junto ao sensor indicam a qualidade do ar. Foto: Gustavo Faleiros

As informações coletadas já estão sendo transmitidas por meio da rede 3G ou mesmo a wifi aberta que existe no Largo.  As medições são enviadas a cada 40 segundos, armazenadas em um banco de dados para que depois possam ser organizadas e disponibilizadas em uma plataforma na web, que em breve estará disponível.

Além de reunir e divulgar os dados em formato amigável para quem tiver interesse, incluindo pesquisadores, planejadores urbanos e gestores públicos, a equipe também preparou um painel simples de luzes que indica a qualidade do ar para qualquer um que passa pelo local. Os equipamentos foram afixados em uma banca de jornal; o proprietário, seu Ítalo, topou participar do projeto.

O sensor é o primeiro de uma leva inicial de 35 que serão espalhados em diferentes regiões da cidade, sempre em pontos com alta circulação de pessoas. A produção das unidades do DustDuino é feita em parceria com a Earth Journalism Network e a rede piloto de monitoramento e distribuição está sendo criada em um consórcio formato pelas organizações Frontline SMS, GroundTruth e Development Seed.

Os dados coletados por todos os equipamentos serão disponibilizados, permitindo a comparação de níveis de poluição em diferentes áreas, bem como avaliar a evolução e gravidade da concentração de poluentes durante cada época do ano. Pessoas ou organizações que queiram participar da rede de monitoramento Dustduino podem enviar informações pelo formulário abaixo. Esperamos realizar em maio, na cidade de São Paulo, uma oficina para a montagem e distribuição das 35 unidades.

Veja no vídeo abaixo como foi a instalação e como funciona o primeiro sensor da rede desenvolvida pelo Código Urbano

Hoje o único sistema de monitoramento existente é o da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), cujos dados são divulgados em relógios espalhados pela cidade. Os equipamentos do Governo Estadual, porém, utilizam padrões bastante defasados em relação aos recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – ou seja, mesmo que o relógio informe que a qualidade do ar é boa, a concentração de poluentes pode provocar danos à saúde. Em nível nacional, os padrões limites também são acima da média recomendada.

A necessidade de revisão dos padrões adotados hoje no Brasil e as deficiências das redes de monitoramento já foram temas de diferentes estudos do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). Para o monitoramento adotado pelos sensores independentes que serão espalhados pela cidade, utilizaremos os padrões mais recentes estabelecidos pela OMS, que podem ser consultados nesta publicação do IEMA.

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